3 de ago de 2009

Despedida - um texto novo, ou quase novo






Olho a volta procurando o meu melhor amigo, mas ele não está aqui. Habitando seu corpo há um ser estranho, mesquinho, amargo e cruel. Alguém superior a todos os humanos: não perdoa porque não erra, nunca errou é perfeito. Não aceita ser ferido porque jamais feriu, é a perfeição em forma de gente... Olha-me com profundo desprezo. Sou menos que nada, um verme, alguém insignificante.

Minha mão se estende tentando traze-lo a razão. Quem sabe o meu toque lhe acorde e lembre que sou eu, que fomos amigos, dividimos um importante capítulo de nossas vidas? Seu braço recua rápido e seu rosto se contorce com nojo: por favor, não toque em mim!

Em lágrimas não consigo entender o que aconteceu. Como você pode me odiar tanto assim? Eu feri você? Certamente que sim, mas você também me feriu muito, tanto quanto, talvez mais, mas eu estou aqui, lutando para salvar um fiapo de história, uma fatia de amizade, um pedaço pequeno que nos possa acalentar quando a saudade do que fomos, ou pior do que poderíamos ter sido, venha nos assombrar.

Minhas mãos estendidas e meus olhos marejados recebem pedras em troca das flores que levo. Sirvo-me de uma taça de fel ao tentar olhar dentro desses olhos que um dia me prometeram suavidade.

Tão incapaz de notar a sinceridade das minhas lágrimas agora, quanto foi incapaz de notar a solidão e a clausura em que me encerrou no passado, você me apedreja com uma alegre sordidez: Que maravilha! Quanto mais ela chorará por mim?

Não chorarei mais, não implorarei mais. Cansei de mim, cansei de correr atrás de alguém que não me quer, nunca me quis. Cansei dos seus fantasmas, dos seus delírios, das suas absurdas fantasias, pior de tudo: cansei das suas falsas acusações, do seu ódio as mulheres destilado sobre mim!

Fico aqui com minha saudade e as lembranças do que nunca será. Com todos os planos que você não nos deixou realizar. Fico com minha amizade guardada, a sete chaves, para quem for capaz de a encontrar...

Fique você com seu ódio, que eu cansei de chorar!