29 de dez de 2006

Contas de contar lembranças...
TH 29 dez006


Interessante como você pode não morar em algum lugar e no entanto ser ali que suas recordações permanecem como se fosse um baú de guardados, fechados pela chave da distância, pelos quilômetros que separam cada realidade.

Aqui tudo tem um cheiro de guardado, tudo está impregnado de recordações, até mesmo as novas ruas, ruas substitutas de outras onde antes havia uma boate, um barzinho, uma esquina...O camelô comercializa as mesmas velhas músicas de outrora, apenas agora em MP3 e as lembranças vão se sucedendo à medida que o vento balança a farta cabeleira dos coqueiros.

Aqui comprei uma sandália branca com a qual brinquei o Reveillon de...Não importa o ano porque nessa rua, onde agora se faz o retorno para acessar o bairro que fica do lado de cima da avenida, eu chupei muito jamelão com sabor de sonho. A casa ficava lá mais em cima, perto da torre, daquela torre de igreja, aquela branca que se avista de cá, da avenida...

Assim vão se sucedendo as lembranças e de repente vejo um rio em cujo leito correm vinte ou trinta anos a escorrer-me os olhos, embalar-me a alma. Seu rosto desenhado em cada nuvem, as esquinas da cidade, as ondas do mar, lembram-me da estrela que ainda brilha na sacada do edifício: demos-nos ela, um ao outro, para que não nos sentíssemos demasiado sozinhos ao estarmos longe. Havia também aquela estória do anjo da guarda que deveria cuidar de mim e tantas outras que nos contamos...Fios de trançar sonhos, sonhos de colorir a vida!

Engraçado que após tantos anos ainda haja nessa cidade tantas recordações amarradas em pedaços de ruas, folhas de palmeiras... Ecos nas paredes como sonhos de verão!